Estou a escrever-vos esta publicação no sábado que passou, dia 10, em Leiria. O jantar foi servido e, com ele, as últimas notícias. As coisas não estão famosas e, com uma polémica do lado, indignação do outro, as imagens de pessoas (que, segundo a definição, são capazes de inteligência) “a encher” esplanadas nas ruas de Lisboa não me sai da cabeça.

Podia fazer este parágrafo para uma nova ideia, um novo recomeço, mas não consigo deixar de sentir-me revoltado. Constatar que, apesar das regras amplamente difundidas pelas redes sociais e canais oficiais do Governo, as “pessoas” simplesmente não respeitam. Abusam. Demonstram não querer saber de máscaras, de distanciamento ou do número legal permitido de pessoas por metro quadrado. A resposta de uma das “pessoas” entrevista foi “que, eventualmente, teremos de continuar a viver como antigamente” e isto, simplesmente, não está certo.

Será que “as pessoas” se esquecem do esforço financeiro que muitos negócios enfrentaram nos últimos meses? Será que se esquecem que, ao não respeitarem as regras vigentes, aquilo por o qual “estas pessoas” sentem falta, será a razão de se voltar a confinar e, consequentemente levar a que estes negócios voltem a fechar?

É comum vermos populares na televisão a criticar quem se desvia das normas estabelecidas, mas será que estas pessoas se esquecem de que estão, também, efetivamente lá? A praticar o desvio?

Sinto-me deveras revoltado. Triste por ver como aquilo que causa saudade, não pode levar as pessoas a uma mediação entre o certo, o errado e a prudência. Até porque, sejamos sinceros: mais mês, menos mês, iremos ter de viver diariamente com este vírus. Mas será que não o podemos fazer com a prudência necessária? O de saber ver que, se um espaço ou rua está cheia, voltar mais tarde? Que, ao invés de enchermos esplanadas, não possamos trocar essa hora por um passeio ao ar livre, ou ir até outro espaço menos frequentado?

Sei que a solidão tem um papel preponderante em tudo isto. Aliada ao sentimento de saudade, rapidamente nos esquecemos que uma decisão nossa (ou do nosso grupo de amigos), poderá ser o “mais um” que levará a um recuar na vida que todos queremos. E, o que quero transmitir com esta publicação, é a importância de sabermos parar. De voltarmos a sentir empatia para com aqueles que sofreram muito nesta pandemia com os seus estabelecimentos fechados ou até salários amplamente reduzidos.

Lembro-me que existia a esperança de que a pandemia viesse a trazer pessoas mais conscientes, humanas. Infelizmente, a cada dia, parece que vejo menos consideração pelo outro, e isto… isto está errado.

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