Terei sempre Paris

Estou no RER a caminho de Val de Fontenay. É a paragem que utilizo quase todos os dias para fazer transbordos para outras linhas. Parece tão rotineiro que já nem abro a aplicação de orientação. E é essa sensação que me inspirou a escrever esta publicação.

Acho que compreendi o que Hollywood nos diz dos autores

É comum que, a cada filme romântico, alguma personagem manifeste, ou o desejo de viver em Paris, ou de, ao ser autor, o querer fazer em Paris. Isto mexia sempre comigo porque não só sou autor como adoro Paris mas, nesta novela, não tinha ainda compreendido o porquê de isto parecer uma realidade universal. Todavia, foi nesta viagem que o clique aconteceu.

A resposta estava no chocolate

Por esta altura se não sabem que amo chocolate é porque há algo de errado convosco, o certo é que foi neste momento que encontrei a resposta. Quando estava numa chocolataria e, ao olhar para fora e ver as habituais mesas e cadeiras no passeio e um homem ao portátil, a escrever e levantar os olhos para a sua frente numa análise tão já minha conhecida da realidade, compreendi.

Em Portugal temos esplanadas, é certo, mas quase todas com estrada à nossa frente. E, quando não acontece, termos inspiração à mão de semear é raro. Somos distraídos pelos barulhos da cidade que em Paris conseguem ser substituídos pelos das pessoas. Das suas conversas, manias, culturas e atividades. Aliado a bairros e zonas quase que temáticas, Paris consegue oferecer caos e calma quase que ao mesmo tempo. Isto é tão rico para um autor que me fez desejar ficar ali, ao lado daquele homem, a escrever.

A familiaridade da cidade

Sendo a quinta vez que venho à capital de França, as memórias conseguem ser avassaladoras. Sendo uma viagem acompanhada da ideia de que os problemas e realidade ficam no país ou cidade de origem, ao andar em diversas ruas, transportes e monumentos, sinto de imediato alegria, nostalgia e conforto ao lembrar das viagens com amigos e familiares. O facto de ter família na cidade é ponto chave para este sentimento. Não só pela forma como somos acolhidos, mas como falamos do país, das suas culturas e história, da forma como vivem e de como tudo isto moldou também a interação que estes têm com Portugal e as nossas férias quase que conjuntas no país, em Agosto.

Paris consegue assim oferecer uma experiência cinematográfica, onde encontramos diferentes conceitos para, literalmente, diferentes estados de espírito. Claro que, no Porto, também consigo encontrar isso, mas nas ruas cheias de trânsito, passeios estreitos e demasiadas subidas, transportar-me para onde quero é um desafio.

Mais uma coisa…

É normal que a maior parte das pessoas não saiba, mas foi com a minha primeira viagem a Paris que alterei a história daquele que foi o meu primeiro livro. Publicado em 2014, O Bater do Coração inicialmente seria uma típica história de rapariga da cidade que vai para o campo. Ao navegar, em 2012, na cidade parisiense, via as minhas personagens por lá andarem e assim ficou. É também interessante que a história que atualmente escrevo tem algumas cenas inspiradas em acontecimentos a viajar para esta mesma cidade. Parece um ciclo completo, especialmente quando estou quase a fazer 10 anos de escrita publicada.

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