Não, não tenho 100 anos. Mas, pelo lado genético da coisa, não me surpreendo se, de alguma forma, tocar nessa idade. O certo é que foi uma empresa, a Disney, que fez 100 anos e não poderia estar mais feliz quanto a isso. Estranho? Eu explico!
Algo importante
Quando se comemora, de alguma forma, um aniversário de uma empresa, há sempre os que ficam escandalizados (afinal não somos donos dela) ou contentes pelo facto. E, considerando-me neste último grupo, tenho de destacar que sei, obviamente, que o aparato de marketing de uma empresa como a Disney é enorme e tem como objetivo fazer com que pessoas, como eu, gastem nos seus produtos. Porém, este investimento acabou por levar a estes 100 anos de histórias, personagens, pelo que o valor emocional acaba por surgir e, em mim, é quase sempre visível.
100 anos de histórias…
Cresci com os filmes da Disney Animation. Foram parte tão grande da minha infância e adolescência, que não reconhecer o impacto destas histórias em mim seria pecado. Muito mais do que ter crescido a ver representações de histórias perfeitas, de vilões lineares e de utopias. O certo é que hoje, e até com a ajuda dos remakes, estou grato pela lição de cada filme e de como cada narrativa consegue, à luz de filtros modernos, encontrar o caminho a outras gerações.
Este é, sem dúvida, dos grandes motivos que me leva imensas vezes à Disneyland e a não olhar muito a gastos quando lá vou (Obviamente que me contenho em não comprar nada superior a 50€), mas aquele pedacinho de merchandising plástico é às vezes tão importante ao ponto de me dar energia.
Como a Pandemia me ajudou a perceber o papel de uma Disney

Walt Disney defendia que: “You’re dead if you aim only for kids. Adults are only kids grown up, anyway.” e, sendo eu adulto, a consciência de que continuo criança acompanha-me em cada livro, em cada imaginar de situações caricatas. Em descobrir o mundo. E, na Pandemia, isso foi-me fundamental. Em, munido de todas as histórias que vi da empresa ao longo dos meus 28 anos, encontrar nos filmes e nos parques Disney um refúgio da realidade imperfeita. Como que um cobertor quentinho, a magia da empresa inspirou-me tanto ao longo dos anos que fico genuinamente empolgado com cada conquista da mesma.
Como me moldou
Quer entre a vida de Bela ou os feitos heróicos de Big Hero 6, são diversos os filmes que me levaram a mundos que, ainda hoje, me moldam. Na realidade, o filme O Planeta do Tesouro inspirou imenso a personalidade da personagem principal, assim como no livro que acabei de escrever, em que a Disney tem mesmo palco nos capítulos iniciais. Muitos podem achar ridículo a repetição de alguma forma, mas acreditem, consegue ser tão diferente quanto tão única pela diferente forma que cada um de nós absorve esta cultura. E, quer seja pela postura de uma empresa que ainda peca na representatividade ou, por outro lado, pelos ensinamentos que faz por meio da animação, é inegável a sua influência.
Se for para além da Disney Animation, crescer com os Piratas das Caraíbas foi, para mim, algo que marcou em pleno a forma como me relaciono com o próprio cinema. Uma relação que me levou a ver praticamente todos os filmes dos estúdios no grande ecrã.
Sei que nem tudo é bom
Obviamente que a empresa tem pontos negativos e tem estado numa maré de azar quanto a alguns lançamentos e escolhas. O seu monopólio é gigantesco mas, eventualmente, o poder da sua contribuição por meio do audiovisual é algo impossível de ignorar e de perspectivar no seu futuro.
Já na experiência dos parques tal só é possível pelos funcionários incríveis que animam os visitantes e fazê com que a experiência transcenda a algo de outro mundo.

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