Liberdade. Democracia. Direito. Igualdade. Equidade. Palavras fortes, mas que, nestes 50 anos, sinto perderem o seu fôlego. Quer seja pela descrença geral no valor da humanidade e no que significa ser-se humano, eu, enquanto autor, sinto que falhei. Sim, usei a minha liberdade para dar vida a personagens com problemas sociais reais, mas, neste processo, esqueci-me de algo que, até hoje, nunca dei grandes importância: o meu eu.
Sermos livres implica, primeiro, olhar para dentro
A introspeção é de extrema dificuldade e, honestamente, tendo escrito uma publicação sobre como a mesma era-me fácil, olho agora com desdém para o que nunca admiti relativamente à minha escrita. Que, por mais notícias e histórias verídicas que alimentam as minhas personagens, nunca elaborei uma lista interna dos meus dissabores. Das minhas mágoas. De pegar em algo concreto meu e, dessa memória/palavra/alegria/dissabor/mágoa, escrever um qualquer ensaio que me permita, por meio das palavras, transmitir de forma diferente uma identificação com o leitor que é mais próxima.
Mas, Diogo, nunca deste elementos verídicos às tuas histórias? Sim, já, mas sem real consciência ou, na verdade, com medo de os revelar. Quer por inseguranças ou por não querer admitir este meu lado, deixei que fosse cada história a guiar-me em vez do contrário. E isto… isto acredito que me deixou, em parte, refém. Preso à falsa sensação de liberdade que as minhas personagens imploram e que eu, nem sempre, lhes concedo.
A importância da sermos livres
A amargura, o ódio, a incerteza e insegurança aparecem destas resoluções que falhamos em concluir. Partimos sempre para outra coisa sem antes explorar o que temos em nós e isto, em muitos casos, acaba por nos tornar refém de preconceitos que, se ousássemos ser livres, não existiriam. Não nos acorrentavam à incerteza da liberdade e iriam permitir-nos crescer, florescer para, no fim, sermos melhores pessoas. E, honestamente, é isto que quero com as minhas histórias. Não corrigir “os meus demónios”, mas brincar com eles, identificar-me em pleno com a existência dos mesmos e, por meio de histórias, refletir com o outro. Mostrar-lhe que, se ousarmos ser livres em ideias, estamos na realidade a estender uma mão que, quem sabe, puxe alguém para a sua própria luz.

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