O título e a ideia desta publicação estão na minha pasta de rascunhos há anos. O tempo passou e, entre anúncios que surgiram quase do nada e outros que consegui preparar com antecedência, creio que chegou o momento de trazer este tema e partilhar convosco como tenho preparado as minhas últimas histórias. Mais concretamente, a próxima história que irei publicar!
Falar com uma editora?
Pode parecer a etapa mais lógica. O Diogo de há uns anos não pensaria noutra coisa. Teria acabado de escrever, lido o manuscrito uma vez e, em seguida, enviado para várias editoras. Contudo, nos últimos anos, a minha visão do mercado mudou e, considerando que esta história surge da minha vontade de experimentação, exercício criativo e liberdade, procurando também atender ao panorama geral, não me fez sentido enviar o manuscrito para uma editora. Tenho a sorte de ter tido sucesso com a publicação independente na Kobo, com Três Dias Até ao Natal, pelo que, atendendo ao tema da história que irei publicar, O Amigo, faz todo o sentido que o momento de oportunidade seja, de facto, agora.
Falar com leitores beta
Este foi o passo seguinte, e confesso que me custou dar. A minha experiência não tem sido das mais favoráveis em termos de timing das respostas e dos acontecimentos na minha vida pessoal, mas decidi abraçar novamente os leitores-beta. Fiz duas publicações no Instagram, através das Histórias, e, na segunda, enviei o manuscrito a vários leitores que se propuseram ao desafio.
Tendo em conta que faço sempre estas coisas em períodos de férias escolares ou laborais, o tempo é sempre curto, e isso significa que, nos meses do ano em que posso escrever, preciso de conseguir concluir tudo a tempo desta correria. Por isso, apesar de ter enviado o manuscrito aos leitores-beta, continuo a trabalhar na obra: reler, corrigir, apagar e acrescentar. É um trabalho em progresso, onde as opiniões dos leitores-beta irão ajudar a perceber se estou no caminho certo ou se, pelo contrário, algo me escapou. Isso leva-me a repensar a história sob uma nova perspetiva e a editá-la novamente. Talvez seja mais trabalhoso, porque poderia simplesmente esperar por todas as opiniões, mas isso faria com que perdesse tempo precioso para perceber algo…
Vale a pena publicar?
Esta lista tinha como ponto seguinte a leitura do manuscrito para extrair citações a usar no marketing. Hoje, embora ainda o faça, é uma das últimas tarefas a que me dedico. Não por preguiça, mas simplesmente porque é raro ver esse tipo de promoção atualmente. O que agora me proponho a fazer é refletir sobre mim, sobre o meu ego e o meu trabalho, e perguntar: vale a pena publicar a história? Tem valor? É um capricho meu ou pode acrescentar algo de diferente ao meu portefólio e ao meu desenvolvimento como autor? Traz algo de novo aos leitores?
A resposta foi difícil de alcançar, não vou mentir. A história toca no género distópico, com uma personagem mais jovem do que as que criei anteriormente. O tema que abordo é extremamente atual e foi inspirado por várias notícias que me levaram a escrever esta história. Perceber se tudo isto tinha qualidade só foi possível através de opiniões externas, como as dos leitores-beta, que me incentivaram a não desistir. E assim fiz!
Que investimento tenho de fazer?
Mas precisas de pensar tanto, Diogo? Sim! Um livro é algo que fica para sempre no mercado. Quer seja em formato físico ou digital, haverá sempre uma cópia que comprova que esse trabalho existiu. Isto é algo sério, onde o ego e a vaidade têm de ser postos de parte para perceber até onde estou disposto a ir por esta história. Assim, tal como desde Dislike, soube desde o início que iria contratar um revisor e editor externo para este trabalho. Com um custo que ronda os 400€, é bom que o que faço valha a pena, e por isso é fundamental refletir sobre o que realmente quero. Pensar não faz mal e, nestes casos, é extremamente necessário!
Com este assunto resolvido, é preciso perceber se vou gastar mais. Vou investir numa capa ou consigo criar uma? Faço o registo do ISBN ou o que me é atribuído pela Kobo é suficiente? São vários os cenários e, por mais “sims” ou “nãos” que tenha de dar, cada decisão representa não só mais dinheiro gasto, mas também a possibilidade de comprometer a qualidade final.
Pensar no marketing
Bem, quando chego aqui é porque os astros se alinharam e, por astros, refiro-me às minhas convicções relativamente a esta história. Percebi que quero publicar O Amigo e que não se trata de um capricho. Já contratei uma editora e revisora que, dentro do prazo combinado, me irá enviar o material para eu aprovar. Será a última oportunidade para alterar ou acrescentar algo, para, provavelmente na semana e meia seguinte, colocar a história à venda.
Claro que, antes de receber o material, já estou a promover a narrativa. Não é apenas esta publicação que vos escrevo agora, mas antes disso a notícia já se espalhou pela minha newsletter e, dentro de dias, começarei a publicar conteúdo já preparado no Instagram. Tudo de forma programada e sistemática até ao dia do lançamento, no último trimestre do ano.
Preço e lançamento
Poderia ser linear, mas não é. Fácil, alguns dizem, mas não. Porque, reparem, um autor em Portugal dificilmente escreve pelo dinheiro, e quase acredito que o mesmo se aplica a todos os autores. No entanto, se existem custos, estes, de alguma forma, irão refletir-se no preço. Qual, então, é a fórmula para o definir? Existe? Bem, sim, mas ajusta-se à visão que tenho e à rapidez com que quero recuperar o investimento para, assim, poder investir em novo material e com qualidade. Em suma, não deve ser algo irrisoriamente barato, mas também não desumano ou descontextualizado.
O dia de lançamento também não pode ser escolhido simplesmente ao acaso, apenas olhando para o calendário. Na minha cabeça, estou a pensar em lançamentos passados, em futuras promoções e, claro, no livro de Natal que tenho e que, de uma forma ou de outra, irá partilhar a atenção com este novo. Pelo que vi no último ano, acredito que, ao promover O Amigo, surgirão várias publicações a falar de Três Dias Até ao Natal. Isto pode ser entusiasmante e deixa-me feliz, mas, para alguns leitores, pode causar alguma confusão. O leitor não gosta de confusão, e, enquanto autor independente, tenho de garantir que isso não acontece, para que o leitor saiba qual é o trabalho atual e possa fazer a escolha que deseja.

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