Globalização e identidade cultural: as reflexões de Moana 2

Este título é digno de trabalho académico na área social e, ao tê-lo escrito, não consigo deixar de pensar nas horas de estudo que tive sobre as interações interculturais que moldaram o mundo. Se vos revelar que, nos últimos anos, tenho desejado, por conta deste mesmo tema e dos estigmas cada vez mais presentes, uma adaptação live-action do clássico Pocahontas, da Disney, esta sequência ao sucesso de Vaiana (ou Moana no original) parece fazer precisamente isso.

O mundo de Moana

Quando Vaiana surgiu, não só prometia, ao estilo Disney musical, abordar culturas exploradoras, o medo do desconhecido, como a relação com a natureza e o mar. O filme poderia até ter inspiração na história dos Descobrimentos, não é? O certo é que, com quase dez anos, Moana fez tanto sucesso que não só uma adaptação em live-action irá acontecer, como a série do Disney+ foi convertida para filme. Chegamos, claro, aqui, e à sua sequela: Vaiana 2.

Apesar de o primeiro filme não ter sido dos meus favoritos do estúdio Disney, aquilo que a equipa criativa conseguiu com a sequência é, para mim, alvo de análise. E não se trata apenas da continuação natural do tema do primeiro filme, expandindo-o numa possível trilogia da animação mais bem-sucedida do estúdio após Carros ou Toy Story. Destaco também a riqueza e o detalhe da animação: detalhes da água, tempestades, roupas, cabelos e a iluminação nas cenas musicais.

A Importância da qualidade e da continuidade

Obviamente, nada disto é novo para a Disney, mas a transformação de uma série em filme implica adaptações para manter a qualidade a níveis comparáveis a outras produções do estúdio. É por isso que aplaudo o trabalho realizado, que acrescenta personalidade e profundidade ao mundo de Vaiana.

Precisamos dos outros

O mundo está caótico, sabiam? Mas existe uma verdade universal que ninguém pode negar: precisamos dos outros e da diferença dos outros. Só assim crescemos, não só enquanto sociedade, mas também em civilização, com novas ideias e formas de resolver os problemas emergentes. Vaiana abraça esta ideia ao mostrar como procurar outros povos e culturas se torna essencial para a sobrevivência de uma espécie, sociedade ou cultura, evitando que esta seja esquecida.

O medo do desconhecido e a exploração

Aliado a este tema está o medo não só do desconhecido, mas também de deixar a nossa terra em busca de algo incerto. Este sentimento é profundamente humano e já presente em vários filmes da Disney. Em Moana, a história da exploração além-mar atinge uma camada histórica, refletindo como diversos povos descobriram novos continentes, enfrentando seus medos e incertezas.

Reflexões históricas e culturais em Moana

Ao abordar temas como a ira dos deuses, parece que alguém na Disney Animation leu Os Lusíadas e adaptou essas ideias a uma realidade tão humana: a crença de que as religiões podem limitar o contacto com outros povos, enfraquecendo-os em vez de promover a prosperidade conjunta. Obviamente que para as crianças que vêem o filme, pouco lhes importa estas reflexões, mas, tendo visto o filme numa sala recheada de adultos, consigo perceber como, mesmo em tenra idade, continuamos a procurar filmes que validem o nosso desejo idílico de um mundo unido.

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