Casa, apartamento, loft… Se estamos em Portugal, podemos acrescentar à lista dispensa, garagem e cubículo sem luz. Apesar das diferenças, todos têm algo em comum: a responsabilidade de cuidar de um espaço que chamamos de nosso. Digo “de certa forma” porque, muitas vezes, esse espaço ainda pertence ao banco ou é um local pelo qual se paga renda. Nestes quase oito anos a viver em Gaia, afastado da minha família, aprendi várias lições que agora partilho convosco. Por favor, se virem algum disparate ou tiverem dicas melhores, EU SOU TODO OUVIDOS.
Um apartamento não é só um apartamento
… é, na verdade, uma comunidade. Uma espécie de sociedade ou seita secreta da qual fazemos parte e, como tal, temos de zelar. Não se trata apenas dos cumprimentos educados no elevador ou das reuniões de condomínio (em que quase ninguém chega a horas, credo!). Implica também reconhecer que, quer estejamos no primeiro piso, no do meio ou no último, ter um apartamento significa lembrar-nos constantemente de que existem pessoas a viver acima ou abaixo de nós. E, com isso, surge a necessidade de refletir sobre algo que nunca considerei a sério na adolescência.
Manutenções
Queriam uma publicação divertida, não é? Pois bem, as peripécias vão chegar, mas a palavra “manutenção” tornou-se uma das mais importantes na minha vida adulta. Não se trata apenas de saber, mas de estar consciente de que, periodicamente, é necessário verificar canos, fossas, possíveis infiltrações na varanda, manchas no teto que denunciam problemas nos vizinhos de cima e, claro, avisar os vizinhos de baixo sobre eventuais incidentes.
Logo nas primeiras semanas após mudar-me, descobri que a minha vizinha de baixo tinha um buraco no pladur na área correspondente à minha casa de banho principal. Fiquei em pânico, mas, com base na educação que recebi, prontifiquei-me a resolver a situação contactando o seguro. Felizmente, tudo correu bem, mas esse episódio serviu como um alerta: ao possuir um apartamento, há responsabilidades das quais não nos livramos.
E o que fiz, perguntam vocês? Recorri à internet, como não podia deixar de ser. Após várias chamadas, acabei por optar por uma empresa que… deuses do céu, foi um dos maiores arrependimentos da minha vida. O funcionário limitou-se a aplicar um líquido com corante para detetar possíveis fugas na casa de banho e, sabem o que me disse? Que provavelmente seria da banheira. Por breves segundos, quase que vi a minha vida a andar para trás, mas lembrei-me de uma observação que tinha feito no dia anterior: um fio quase invisível de água a escorrer por trás da sanita. Apesar de não parecer convencido, pedi que incluísse essa possibilidade no relatório, para ajudar com a seguradora.
Após a “perícia”, imaginei que o custo não ultrapassaria os 100€. No entanto, quando o funcionário anunciou 300€, senti o meu coração, a minha carteira, o cartão bancário e até a minha inocência caírem ao chão. E, por mais que estas empresas acreditem que as seguradoras cobrem tudo, esta foi a única despesa que não consegui recuperar.
Aqui está uma grande lição: talvez, ao contratar seguros para a casa — especialmente os que nos são quase oferecidos ou impingidos por bancos ou fornecedores de eletricidade (olá, EDP) —, pode ser uma boa ideia considerar um serviço que inclua manutenção. Isto não só nos dá maior tranquilidade como também previne dores de cabeça quando chega a altura de pagar. Nisto tudo, tinha realmente tudo e era a torneira de boia do autoclismo.
É claro que ter uma rede alargada de contactos é o ideal. E, no final, o maior ensinamento desta experiência foi precisamente esse: a importância de contactar mais pessoas e guardar os seus contactos no telemóvel para situações futuras. Perguntar a colegas de trabalho pode igualmente ser uma excelente forma de ultrapassar estas situações com uma perna às costas (e mais dinheiro, talvez, na carteira).
E voltei a precisar…
Quando? Quando o autoclismo da minha casa de banho de serviço avariou. Atendendo a que o custo que o picheleiro levou pelo arranjo da outra (a que foi coberta pelo seguro) foi perto dos 300€, estava já a pensar que veria a vida a andar para trás, mas não conseguia mesmo resolver o problema. Quando o senhor veio e me cobrou 60€, aprendi a lição que em cima vos disse: quando existem seguradoras ao barulho, a probabilidade de alguém lucrar connosco é elevadíssima e, se não soubermos ou não estivermos atentos, facilmente caímos na esparrela. Felizmente tive imensa sorte e consegui aprender para intervenções futuras. Como daquela vez em que a sanita entupiu e fui ao YouTube ver que, se pegar numa garrafa de refrigerante e começar a fazer efeito de vácuo na sanita, todos os problemas se resolvem. Foi um ensinamento precioso, que acreditava ser estúpido, mas que fez toda a lógica. Muito mais que os produtos que comprei para desentupimento…
O esfrega, esfrega
Não é só as limpezas padrões que tenho de fazer. É tomar banho, olhar para as juntas e perceber que precisam de uma boa esfregadela para estarem sempre brancas. Foram diversos os produtos, e tostões, que dei por soluções que prometiam remover todas as manchas, mas foi no El Corte Inglês que acabei por encontrar um produto que, apesar do cheiro intenso a cloro, me deixa as juntas como novas e de forma mais eficiente que o produto da UHU. O certo é que, se um não ajuda num lado, o da UHU ajudou-me no quarto e a prevenir bolores. Aquilo funciona como magia, juro-vos. Mas isto levou-me a outra constatação que antes não pensara.
A febre das plantas

Andei numa fase (ainda estou nela), em ter diversas plantas pela casa. Obviamente que, por esta altura, já sei que muitas destas morrem, pelo que acabei por investir neste último ano em espadas de São Jorge, que são ótimas para a humidade, assim como em suculentas e, claro, algumas plantas falsas para certos sítios da casa (como debaixo da TV, para esconder cabos). Sendo criativo, não poderia deixar de apreciar as plantas que a LEGO tem lançado e, pronto, já tenho uma roseira, um bonssai, uma orquídea e um crisântemo.
No futuro, quero investir em plantas naturais para o quarto, especialmente as que ajudam a limpar o ar e purificar. As sugestões online são muitas, só preciso de tempo e acreditar que não as vou matar. Porém, uma boa sugestão para os indecisos são os terrários, cuja manutenção é extremamente reduzida.
Os pais sempre avisam, não é?
Os meus pais ensinaram-me muito enquanto crescia e, agora, vejo-o claro como a água. Em como agora procuro ter sempre a casa arejada, em não ter as divisões muito fechadas e ter atenção à exposição solar para evitar manchas em cortinados e no chão. O mesmo para a limpeza da varanda e de ter atenção a eventuais fugas para que consiga avisar o condomínio das mesmas – sim, caso não saibam, problemas em varandas são assumidos pelo condomínio, que tem de fazer a devida manutenção.

A preocupação com a cama também se tornou paranoia e, tendo um cão, das primeiras coisas que comprei foi um aspirador da Xiaomi Antiácaros com luz ultravioleta para garantir a máxima higiene, especialmente quando o meu cão tem episódios de loucura pela casa.
Quem te avisa, teu amigo é

O desejo por um espaço próprio paira sempre na cabeça de todos. O certo é que, quando o temos, e em nosso nome, existe uma responsabilidade acrescida em zelar por ele e por todo o espaço circundante que, de certa forma, também o complementa. As coisas não são tão lineares e simples e cuidar de um espaço tem diversas peças invisíveis que, no final do dia, se complementam. Quer seja pelos cuidados com o piso flutuante, até a que serviços contratar e a preocupação de se fazer manutenção de canos e limpeza de paredes são coisas que não podemos esquecer. Quer a casa seja antiga ou altamente moderna, o cuidado tem de existir se queremos não só zelar pelo imóvel e seu valor, como pela própria forma como encaramos a vida e esse cuidado com a casa se reflete.
Para me ajudar, conto agora, claro, com as diversas toalhitas de limpeza rápida do Mercadona, de espanadores e do meu magnífico aspirador automático da Xiaomi e que me ajuda a preparar a casa sempre que tenho visitas.
Reflexões rápidas
- Pode ser útil perceber até que ponto queres, ou não, andar a fazer furos pela casa. Por vezes pode-se usar outras formas que não deixem marcas permanentes na estrutura da casa;
- Limpar pladur e paredes são coisas distintas e os mesmos produtos podem não funcionar ou até deixar marcas. Por vezes o bom vinagre chega;
- Falar em vinagre sem referir o amigo bicarbonato de sódio é um crime e, juntos, são uma ótima ferramenta de limpeza e desinfeção;
- É ótimo ter plantas, LEGOs, livros e tudo o mais como decoração, mas limpar dá trabalho. Com isto, pensa muito bem no estilo de decoração que queres seguir para evitar dores de cabeça no futuro;
- Se tens animais e queres um aspirador inteligente, recomendo os novos da série X20 (X20+, Plus e Max) da Xiaomi. Eles esvaziam-se sozinhos, o que é extremamente precioso para o aspirador não largar pelo, esfregam o chão como deve de ser e a base até ajuda a limpar esses mesmos esfregões. O modelo mais caro, que se consegue abaixo dos 600€, tem uma escova que já corta automaticamente os pelos e cabelos, útil para uma vida duradoura e limpeza eficiente. Recomendo verem na Amazon visto que é substancialmente mais barato que em Portugal (especialmente o modelo X20+);
- Se tens animais de estimação é também boa ideia pensar em revestir os sofás e até na qualidade das mantas mediante o pelo do teu bicho;
- Campanhas de saldo são fantásticas para equipamentos para a casa. No ano passado, nos Prime Days, consegui um aspirador para os sofás, estofos e derivados, que funciona à base de água e suga e limpa toda a sujidade. Pode ser um bom investimento, especialmente para remover manchas que aparecem em sofás ou carpetes. A minha compra foi o SpotClean Pet Pro, da Bissell.

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