O mundo está caótico. Apesar de vivermos, há umas boas décadas, na era da informação, parece que é ainda difícil para diversas pessoas procurar a mesma e saber que, efetivamente, por mais que todos quiséssemos que tal nunca tivesse acontecido, a 2ª Guerra Mundial aconteceu e, com ela, o Holocausto. Já vos falei disto quando visitei os campos de concentração, em 2023, mas parece imperativo falar de Lee, o filme protagonizado por Kate Winslet, e na importância de continuarmos a falar e mostrar isto. Um “isto” que é o pior que o ser humano consegue fazer.
Kate Winslet espanta ao retratar a vida de Lee Miller
Não sei propriamente quando comecei a apreciar o talento de Winslet, o certo é que, desde os filmes Avatar, sei que é das atrizes que mais admiro. Quer pela sua capacidade de transmitir a emoção, quer pela beleza característica, a forma como a mesma interpreta a vida de Lee Miller é, efetivamente, arrasadora.
O filme, como já perceberam, é inspirado na vida de Lee Miller, uma das mais icónicas figuras do século XX. Fotógrafa, modelo e correspondente de guerra, Lee Miller desafiou as normas da época, deixando um impacto duradouro no mundo da arte, da moda e do jornalismo.

O enredo do filme foca-se na sua experiência durante a 2ª Guerra Mundial, explorando a sua transformação de uma modelo de sucesso para uma fotógrafa e jornalista intrépida. Como correspondente para a revista Vogue, esta figura histórica feminina documentou alguns dos momentos mais marcantes da guerra, incluindo a libertação dos campos de concentração de Dachau e Buchenwald, capturando imagens cruas e perturbadoras que ainda hoje ecoam pela sua força emocional e testemunho histórico.

Para além do seu trabalho fotográfico, o filme mergulha na complexidade da sua personalidade: uma mulher à frente do seu tempo, lidando com traumas pessoais e os desafios de navegar num mundo dominado por homens. É neste retrato que Kate Winslet arrasa, ao despir-se, literalmente, para interpretar a personagem e transmitir a sua irreverência, crescimento e agonia.
O próprio filme não se fica por aqui, ao apresentar uma pequena reviravolta no final e que dá ao espetador uma outra perspetiva na forma como este estava a acompanhar a história.
A revolta em cada cena

O filme, com quase duas horas, caminha para um final tenebroso, duro, onde, passado tantos anos, parece que estamos no mesmo lugar. Com a mesma indiferença aos outros e incapazes de publicar e falar da verdade (ou de distinguir a verdade).

Não colocarei aqui as fotografias que a mesma capturou de forma mais crua da guerra. Não quero causar um desconforto do qual não foram avisados, mas com um arquivo público e vasto reportório online, aquilo que Kate Winslet conseguiu trazer ao interpretar Lee é digo de nota, de reconhecimento e de reflexão, especialmente quando a História parece querer-se repetir.

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