Não sigo a saga protagonizada por Renée Zellweger desde o início. Foi, na verdade, em 2016, com a estreia de um novo filme, que decidi mergulhar neste clássico do cinema cómico e romântico. Agora, nove anos após essa sequela e vinte e quatro anos depois do primeiro filme, Bridget Jones: Louca Por Ele não só me arrebatou no que pode – e deve – ser uma boa sequela, como também me provou que a direção narrativa seguida em Mamma Mia! Here We Go Again sempre esteve certa!
Mamma Mia 2?
Se calhar estão a perguntar-se se me enganei, mas não – estou bem lúcido nesta análise. Ver este novo filme de Bridget Jones fez-me recordar o quão bem resultou a morte de uma das personagens principais em Mamma Mia 2. No entanto, Bridget eleva esse conceito a um patamar superior, ao oferecer uma representação mais explícita de sentimentos raramente explorados nos filmes de hoje. Além disso, este filme não só utiliza essas emoções como o fator cómico e nostálgico da narrativa, mas coloca-as no centro da história, o que me fez perceber como é raro encontrar histórias verdadeiramente humanas no cinema atual.
Bridjet Jones e a importância do caos!
Sim, ainda na semana passada vos falei de Capitão América, um filme repleto de ação, drama e tensão. Há caos em quase todas as cenas, então o que o diferencia de Mamma Mia 2 e, neste caso, de Bridget Jones 4? A resposta parece-me simples: enquanto que 90% dos filmes comerciais lançados nos cinemas tentam seguir narrativas generalistas e ambiciosas, que nem sempre dependem da emoção humana, Bridget Jones vem mostrar-nos como é perfeitamente exequível passar mais de duas horas num filme a viver a agonia do caos da vida – e, sobretudo, a dor da perda de alguém.
Retratar o luto e demonstrá-lo no grande ecrã é um desafio. E, apesar de já existirem belíssimos filmes bem-sucedidos nesse aspeto, o facto de termos acompanhado a jornada de Bridget durante tantos anos faz com que este filme se torne um verdadeiro porto de abrigo emocional. Aqui, o luto é explorado em todas as suas camadas, e o humor destemido dos argumentistas expõe não só o lado negativo da perda, mas também as diversas pressões sociais que a acompanham. Desde voltar a namorar, retomar a vida sexual, regressar ao trabalho, priorizar-se a si mesma ou aos filhos – tudo é abordado. O filme transporta-nos por uma espiral de emoções que oscila entre o choro e o riso compulsivo.
É mesmo tudo fantástico?

Este humor tem como base diversos elementos que, atualmente, são quase considerados tabu e podem facilmente ser interpretados como preconceituosos. No entanto, a grande reviravolta está na forma como essa construção narrativa se entrelaça organicamente com o ADN das personagens – nas suas escolhas e, sem dúvida, nas consequências dos seus pensamentos, comportamentos e atitudes. Isto é particularmente evidente na personagem de Hugh Grant, o icónico Daniel Cleaver, que se vê confrontado com o impacto das suas “conquistas” e percebe como estas o afastaram do que realmente importa: a construção de um legado, seja ele familiar ou pessoal.
Portanto, não, nem tudo é perfeito, mas a execução consegue ser brilhante no que almeja. A morte da personagem de Colin Firth serve realmente a história, e o facto de o ator surgir em várias cenas torna a experiência mais tangível – intensificando a dor e a alegria de forma palpável, especialmente no retrato das famílias monoparentais que procuram reconstruir-se após uma perda.
Poderia ter sido interessante ver uma Bridget que terminasse solteira? Sim, mas isso não faria parte da sua personalidade, nem daquilo que o próprio filme constrói de forma tão orgânica.

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