Coincidência com o nome da mítica rúbrica do Ricardo Araújo Pereira na Rádio Comercial? Talvez. Mas este será um segmento que espero manter no blogue por muito tempo, e que se traduz, como o nome indica, num conjunto de temas que, durante um determinado período, me irritaram. Profundamente.
A ideia para este segmento surgiu na semana passada, mas, por impossibilidade de escrever, está na hora de recuperar o tempo perdido e…
O apagão
Sim, ainda o apagão e tudo o que correu mal nesse dia que, na verdade, se resume a um pilar enorme: comunicação.
Ficar afastado das redes sociais é algo que não me assusta nem me custa. Na verdade, lembro-me de um dia, quando ainda trabalhava na instituição, em que me esqueci do telemóvel em casa. A minha única preocupação era, na verdade, como poderia receber chamadas do trabalho, uma vez que não me conseguiam contactar. Fora isso, foi tranquilo como o esquilo, como costuma dizer-se.
Agora, aquilo que o apagão voltou a evidenciar foi o quão pouco parecem os nossos governantes interessados em planeamento a longo prazo — em ter ou seguir planos de emergência, que deveriam, à partida, estar sempre prontos e atualizados. No dia do apagão, em Portugal, tudo isso foi ignorado. Como se não existisse qualquer matriz de risco para uma falha de eletricidade. Pior ainda: não existia comunicação oficial e fidedigna por parte das entidades competentes.
Neste dia ficou também demonstrado, mais uma vez, quão deficiente é o nosso sistema de comunicação em caso de desastre, já que Portugal AINDA NÃO ADOTOU O RAIO DO CELL BROADCAST! Esta infraestrutura é a responsável, em diversos países, por permitir que os nossos telemóveis recebam mensagens rápidas, eficazes e que evitam precisamente os problemas enfrentados pelas nossas operadoras nesse dia.
Num país moderno — como o nosso deveria ser — uma falha tão grave de planeamento e de gestão de crises foi totalmente inadmissível. E isso deixou-me furibundo.
Tive uma avaliação cancelada
É nas desgraças que encontramos os verdadeiros amigos, não é? O mesmo acontece nas tragédias — e em como as diversas obrigações legais pouco ou nada se traduzem em prática. A minha escola comunicou-nos que, pelas 13h30, deixaria de haver aulas e que a instituição estaria encerrada. Porém, o que não era de todo abordado, era de quem tinha avaliações nesse dia e no seguinte.
Agora, sei perfeitamente que, no início da manhã deste dia, o pensamento era que a luz tanto podia voltar numa ou duas horas, mas o facto de que já se sabia que a demora seria grande no início da tarde, aliado à ausência de políticas de contingência da escola, deixou-me furibundo. Só no dia seguinte, a cinco horas do teste, recebemos um e-mail a informar que a avaliação fora adiada.
O que fiz? Bufei, tomei banho, almocei e fui trabalhar, já que não tinha qualquer resposta quanto à eventual justificação por faltar ao trabalho — e porque, além disso, tinha imenso para fazer. As coisas não poderiam funcionar melhor? Com planos de ação definidos, tal como se ensina na própria escola? Como é que o Instituo me envia questionários a respeito da saúde mental quando ignora tudo o que pode controlar e podia usar para acalmar os estudantes e que, LOGICAMENTE, contribui para uma melhor saúde mental?
Bad Bunny e Bad Tickets
Há muito que penso que, comparando com o passado, ir a concertos é cada vez mais segregador. Não só acontecem em qualquer dia da semana, como são quase sempre na capital. E como se isso não bastasse, toda a ginástica necessária para ir ao concerto e, eventualmente, passar a noite na cidade, torna-se cara — especialmente quando o preço dos bilhetes é cada vez mais elevado.
E ainda há o processo de compra em si: é necessário registo antecipado, receber um código, fazer o pino, vender um rim ou entrar numa fila virtual que de ordeira nada tem.
Não sou um fã aguerrido de Bad Bunny, mas aprecio suficientemente a sua música e impacto cultural para o querer ver ao vivo. No entanto, com tudo o que eu e os meus amigos passámos para aceder à fila, a vontade de ir esmorecia a cada minuto. O tempo de espera era aleatório e, quando finalmente chegávamos à parte da compra, tudo bloqueava.
Isto destrói, por completo, a experiência de compra. E penso cada vez mais se não será uma forma de marketing barata: promover o caos e o pânico para que, no fim do dia, estejamos todos a falar disto.
Obviamente, os tempos mudam. As digressões chegam a mais cidades e, em muitos casos, duram vários dias. A internet veio facilitar o acesso, mas ainda estamos longe de uma experiência verdadeiramente equitativa.
Ufa, até me sinto mais leve!




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