Mixórdia de desabafos #2 – Caixas sem empatia com notícias positivas

Coincidência com o nome da mítica rúbrica do Ricardo Araújo Pereira na Rádio Comercial? Talvez. Mas este será um segmento que espero manter no blogue por muito tempo, e que se traduz, como o nome indica, num conjunto de temas que, durante um determinado período, me irritaram. Profundamente.

Meter tudo em caixas

Sabemos que a humanidade perdeu a fé em si mesma e na capacidade de acreditar no outro quando, agora, metemos tudo em caixas. Uma pessoa não concorda com uma das vinte linhas que escrevemos? É daquele partido. A pessoa não defendeu logo aquela posição? “Defende aquilo.” A pessoa aplaudiu uma determinada afirmação? Então é ingénua, porque, pronto, as coisas não têm várias camadas, não é?

É fascinante como, se com as redes sociais poderíamos pensar estar a ler um livro gigante contado a vários pontos de vista, escolhemos ignorar. Escolhemos classificar tudo de uma forma e não pensar mais no assunto. É isto uma forma de sobrevivência? Uma maneira de compartimentalizar as coisas para não se sofrer? Acredito que sim, e faz parte do ser humano fazê-lo, mas cair neste extremo é errado e perigoso e coloca em causa a nossa empatia.

Falta formação em competências básicas

Já tive ocasiões em que, ao refletir sobre o sistema de ensino com a minha turma de mestrado, falávamos de como, em profissões onde o contacto com o outro era constante, a formação era escassa. Hoje, estando eu numa área completamente distinta, percebo como os programadores têm, no geral, dificuldade no momento de comunicar com os outros e até de escrever determinados manuais de integração. O meu chefe diz sempre para pensarmos que quem lê é “burro na matéria” e, sendo esta uma forma talvez abrupta de expor a situação, tem uma lógica extremamente válida. Temos de nos meter no lugar do outro – novamente, sim, eu sei, engulam que cai melhor – e perceber que temos de expor as coisas de forma linear, sem incongruências. Não só é extremamente poderoso, como nos ajuda no nosso próprio trabalho futuro.

Estado da nação

Esta semana tomei a decisão de abrandar o consumo de notícias de âmbito político. Não só porque os meus níveis de stress disparavam, mas também porque é surreal a falta de respeito que existe de determinado partido político no momento de tratar jornalistas e opositores. Pensar que chegámos aqui, e que fomos permitindo isto ao longo dos anos, é surreal. De renegar direitos, de achar que direitos igualitários e equitativos são perigosos para o poder alcançado. Isto tem-me irritado profundamente. Ao ponto de ter uma descrença enorme na evolução da nossa população e, claro, na forma como consome de forma ávida o conteúdo falso difundido em diversas redes sociais.

Parte positiva disto? Acabei agora mesmo de seguir duas páginas de notícias positivas, porque de tristezas já nos bastam dois minutos na comunicação social portuguesa.

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