Para mim, ‘Castle’ é a melhor série de sempre. Identifico-me não só com a narrativa, como também com as personagens e a química que demonstravam em cena. Ainda hoje, sigo os trabalhos dos autores, tal é a minha admiração. E, apesar de já terem passado vários anos desde que a série terminou (foi cancelada, o que foi, de facto, uma grande confusão), há diversos aspetos que ainda me marcam…
O começo do sonho
Antigamente, não conseguia perceber quando tinha surgido o meu gosto pela escrita e publicação de histórias. No entanto, uma vez que a publicação acaba por ser ‘um acréscimo’, vou focar-me mais na escrita. Neste campo, nem sempre foi claro para mim perceber quando surgiu esta paixão. Este criar de histórias em ambientes distintos dos meus que, acredito, surgiu algures em 2009. Mas, após começar a ver ‘Castle’, percebi algo quase elementar: eu sempre soube!
- Alexis Castle : Dad, how old were you when you knew?
- Richard Castle : Knew what?
- Alexis Castle : That you wanted to be a writer.
- Richard Castle : Since I was a kid, I guess. Why?
- Alexis Castle : I’m finishing my junior year, and I have no idea what I want to do. By the time you were my age, you’d already published your first book and now you’re winning this amazing award because you followed your passion. How can I be amazing… if I can’t find mine?
- Richard Castle : Trust me… you will. Or… Or it’ll find you. And one day you will look back and you will realize that… every experience you ever had, every… seeming mistake or blind alley, was actually a straight line to who you were meant to be. And whatever you become, there is no question in my mind, you are going to be amazing. And you know how I know?
- Alexis Castle : How?
- Richard Castle : ‘Cause you already are.
Nesta cena, para mim comovente, entre pai e filha, recordei-me de como, já na infância, brincava com a imaginação. Como criava jogos até chegar ao meu ensino básico e começar a escrever histórias ao estilo de ‘Uma Aventura’, mas sobre os meus amigos. Sei que isto é um grande clássico entre os autores mais modernos, por ser parte da influência da época, mas tornou-se clássico para mim também este diálogo que, até aos dias de hoje, ainda recordo. Lembra-me de como devemos ser resilientes e não desistir do nosso sonho, mesmo que recebamos muitas recusas das editoras. Acresce ainda o facto de, ainda hoje, me identificar com a Alexis, e de como é difícil, nos dias de hoje, sabermos realmente qual é o nosso sonho ou, pior, tentar encontrar um novo. Isto pode ser desolador e esta cena ensinou-me muito sobre perseverança, conquista, paixão e sinceridade.
A importância das coisas acabarem
Não nos apercebemos, mas existe uma verdade universal: tudo, um dia, acaba. É precisamente assim que começa este discurso impactante do final da quarta temporada, refletindo sobre como, na nossa vida, o terminar de algo é fundamental para continuarmos a crescer. Entender que temos de sair da nossa zona de conforto para continuar a crescer, evoluir e explorar é essencial. Esta ideia é difícil de interiorizar, especialmente porque o conceito de finalização é frequentemente associado, de alguma forma, à morte. Mas, tal como a fénix, torna-se cada vez mais imperativo para um artista saber reinventar-se. Sair da zona de conforto da escrita para falar mais de si próprio, do que o inspira, do marketing e lidar, cada vez mais, com as exigências de um mundo que se transforma diariamente.
There is a universal truth we all have to face, whether we want to or not, everything eventually ends. As much as I’ve looked forward to this day, I’ve always disliked endings. Last day of summer, the final chapter of a great book, parting ways with a close friend. But endings are inevitable, Leaves fall, you close the book. You say goodbye. Today is one of those days for us. Today we say goodbye to everything that was familiar, everything that was comfortable. We’re moving on. But just because we’re leaving, and that hurts, there’s some people who are so much a part of us, they’ll be with us no matter what. They are our solid ground. Our North Star. And the small clear voices in our hearts that will be with us … always.
Castle, ABC
Tal como eu, agora que voltei a estudar e procuro saber que caminho escolher no que toca a livros passados, livros futuros, a cidade onde moro, o emprego que tenho, entre outros, lidar com o avançar é stressante. Pode ser angustiante, mas, neste turbilhão, e tal como ‘diz a Alexis’, sei que terei sempre um porto de abrigo e que, independentemente de tudo, a escrita faz parte deste caminho. Tal como a criação desta publicação e de como ela me ajuda a processar pensamentos, ideias, sentimentos e inseguranças. ‘Castle’ ajudou-me nisto e, com estas cenas que aqui partilho, espero transmitir alguma luz, esperança e conforto a todos aqueles que lutam e se desafiam nesta arte solitária e que encontrem consolo. O fechar de um livro não significa que algo terminou. Significa simplesmente que estamos prontos para começar outro.

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