O significado do Natal

São diversas as publicações escritas sobre este tema. Quer escritas noutras plataformas, quer aqui, por mim, no blogue, o tema é universal e, todos os anos, o debatemos. Ele é, na verdade, bastante simples, mas todos os anos gostamos de complicar e de trazer para a discussão tudo o que de mal aconteceu no mundo para, nalguns dias, apelarmos à união, à paz e valorização do outro.

Quando cresci, o Natal era sinónimo de presentes, mas, agora, quase duas décadas depois, percebo como, já naquela altura, ficava era extasiado, não pelos presentes, mas pelo convívio. As conversas à mesa, o reencontro com primos e, claro, as tardes a jogar jogos de tabuleiro para, depois, se seguir um qualquer filme de sucesso de bilheteira, mas que, naquele momento, ia reunir-nos todos. E, quer uns vissem, outros comentassem e outros dormissem, sentia-me sempre bem ali. Naquela sala, quentinha, cheia de pessoas que gostava e com doces sempre à espera de uma próxima colherada roubada.

Foram por diversos os anos que me deliciei com bolo de bolacha, que trouxe para a noite de Natal o desejo de ver um filme do Twilight, ou um qualquer outro jogo de tabuleiro ou de consola que todos pudessem jogar. Com o crescer, apesar do filme escolhido ser já indiferente, ganhei mais maturidade a respeito do dia. Dos sentimentos que invoca a milhões de pessoas. E, o que para a maioria é um conjunto de alegria, stress, ansiedade, saudade, nostalgia e felicidade, para outros é uma representação de solidão e isolamento. Enquanto uns conseguem comprar mil e uns presentes, outros não conseguem sequer um local para passar a quadra. E, quer sejam sozinhos ou com filhos, o significado do Natal tem de começar, desde cedo, a ser algo definido pela própria pessoa.

Com os municípios e o comércio a apelar a diferentes partidos nesta quadra, perde-se ainda pouco tempo a falar, realmente, do que tudo significa e de cada uma das emoções. E, sem isto, não existe de facto Natal, mas sim um conjunto de humanos a tentar agradar às massas para corresponder a eventuais padrões. Porém, e com tanta heterogeneidade na sociedade, importa respeitar cada um dos valores e de como mostramos a empatia para entender cada lado da pessoa que vivência uma quadra com um foco tão grande numa palavra: a família.

Quando a família não se escolhe ou, simplesmente, não existe ou está ausente, a dificuldade é ainda maior e nem sempre se demora tempo a trabalhar estas questões. Isto dificulta a passagem pela quadra que, de dias, passa a ter o peso de décadas de, em muitos casos, sofrimento profundo.

Espero assim, enquanto por todo o lado se festeja a quadra, até na Ucrânia e com alegria, possamos pensar ainda mais no próximo com o respeito que lhe é devido e contribuir para, ano após ano, publicação a publicação, livro, música e filme que escolhamos ler na quadra, sermos melhores. Quer para connosco, como para os outros.

Se precisares de conversar, estou disponível. Basta aceder à minha página Porto Seguro.

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