Quantas são as vezes em que, em conversas descomprometidas, o tema do ressonar emerge? Frequentemente, o assunto é desviado entre inúmeras gargalhadas e, antes de se dar por concluído, surge inevitavelmente alguém que fica ofendido, negando até ao fim, e, em contrapartida, alguém que admite abertamente, sabendo até identificar as circunstâncias em que é mais propenso a tal fenómeno. A recordação destas memórias fez-me perceber, há uns dias, como o mundo se divide facilmente entre estes dois tipos de pessoas e que, talvez, tenha descoberto o mote para um ensaio psicológico futuro (estou a brincar).
A capacidade de autoconhecimento
Admitir algo íntimo é desafiante e, embora o ressonar não seja um dos aspetos mais pessoais, revela bastante sobre a pessoa e o seu estado de saúde. Discutir este tema implica reconhecer que quem possui mais autoridade numa conversa deste género é, frequentemente, a pessoa que partilha a cama e que, efetivamente, tem a capacidade de testemunhar ou discutir a questão. O cerne da questão reside, verdadeiramente, na habilidade de alguém em admitir que ressona ou, em contrapartida, na disposição em acreditar no outro e no que este relata ouvir. Parece algo elementar, mas levou-me a refletir que, ao admitir que se ressona — como é, de facto, o meu caso, o qual posso exemplificar com várias situações —, demonstra-se uma notável autoconsciência, habilidade em aceitar críticas e, ainda, uma maior confiança nos outros. Abordar o ressonar não deveria ser encarado como ofensivo, pois não? Por que haveria de se duvidar?
Quando a dúvida é aliada
No outro extremo, encontra-se a incapacidade de admitir, a negação de que tal facto possa ocorrer. É frequente que estas pessoas se fechem em si mesmas, adotando uma postura extremamente reservada e, em casos mais extremos, tornem-se quase agressivas na forma como defendem a sua assertividade, especialmente quando esta é questionada. Acabam por não conseguir reconhecer a possibilidade de ressonarem, especialmente em situações como quando estão constipadas.
O mundo não é tão complexo assim
Possivelmente interrogam-se sobre o motivo desta publicação, mas a razão é tão simples que a mera ideia de a escrever despertou-me grande entusiasmo. Frequentemente, ao tentarmos decifrar as pessoas, deparamo-nos com indicadores expressivos e de fácil interpretação que, por vezes, optamos por ignorar. Estes sinais são particularmente úteis quando necessitamos de compreender, auxiliar ou direcionar uma conversa, permitindo-nos antecipar se a pessoa em questão possui confiança suficiente em si mesma para admitir aspetos que fogem ao seu controlo, ou se, pelo contrário, é demasiado insegura, podendo certas situações exacerbar a sua ansiedade.
Esta reflexão ganhou força após uma conversa que presenciei num café na semana passada, onde duas pessoas atribuíam problemas mentais ao ‘magnetismo’ ou ‘à alma’. Tal simplificação de questões cientificamente estudadas e comprovadas causou-me grande inquietação, levando-me a ponderar sobre como o conhecimento popular pode, por vezes, sobrepor-se à sabedoria académica. Assim, perante a dúvida e a dificuldade em compreender determinados fenómenos, talvez devamos começar por interpretar os sinais mais simples que os outros nos transmitem, em contextos menos complexos, para, quiçá, num futuro, sabermos como melhor nos aproximar e compreender essas mesmas pessoas.
E vocês, são do tipo de pessoa que ressona ou a que não admite?

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