É comum encontrar, nos dias de hoje, autores que procuram melhorar o seu trabalho colaborando com outras pessoas. Sejam elas leitores-beta, amigos próximos, editores ou revisores, a relação é sempre única. Hoje, quero focar-me num tema que considero realmente urgente: a importância dos editores e revisores.
Editores e revisores
Desde já, parece importante salientar que editores e revisores são geralmente profissionais formados nessas áreas. Quando recorremos a estes serviços, fazemo-lo de forma externa; não se trata de pessoas do nosso círculo íntimo, mas sim de profissionais contratados para fornecer opiniões honestas e para trabalhar o texto de forma adequada.
Os custos destes serviços podem ultrapassar os 50€ para manuscritos pequenos. Desde a publicação do meu livro “Dislike”, tenho recomendado a escolha destes profissionais como um investimento vital que permite ao autor, ao seu manuscrito e à sua entrada no mercado editorial, prosperar.
Os leitores-beta
Este tópico é mais complexo. Tendo já discutido este tema há cerca de dez anos e trabalhado com vários leitores-beta, sinto que é crucial clarificar as suas diferenças em relação aos revisores ou editores.
Enquanto os revisores e editores que mencionei atuam “como um serviço”, os leitores-beta são geralmente amigos próximos ou entusiastas de literatura que, de forma gratuita, aceitam ajudar. Esta relação pode ser estabelecida de comum acordo com o autor ou de forma mais informal, mas nem sempre produz os efeitos desejados. Tal não é inteiramente culpa dos leitores-beta, muitos dos quais possuem formação literária, mas sim de como, por vezes, a falta dessa formação e as suas ideias e gostos pessoais influenciam o trabalho com o autor na melhoria da obra com novas ideias e sugestões.
Contratar um serviço profissional cria uma expectativa subconsciente de que o trabalho pago será de qualidade superior. No caso dos leitores-beta, devido à proximidade com o autor, a perceção é frequentemente diferente; as suas opiniões podem ser vistas como meras sugestões. Esta diferença pode levar a uma desvalorização preocupante das recomendações.
Desvalorização das contribuições
O trabalho de revisão, edição ou leitura beta de um manuscrito é árduo, complicado e demorado. Se não houver honestidade, e se o autor desvalorizar as sugestões recebidas na ânsia de “ter um livro pronto”, o insucesso poderá chegar mais cedo do que se espera. Para dar um exemplo, quando aceitei ajudar uma autora num formato de leitura-beta, esforcei-me por ser o mais correto possível, oferecendo sugestões claras. Contudo, no final, apenas recebi agradecimentos e fui informado de que “outras pessoas tinham gostado e não tinham apontado nada do que eu havia mencionado”. Isso ajudou-me a perceber que, por mais boa vontade que exista na entreajuda, a relação deve ser respeitada e o autor não deve desvalorizar os feedbacks recebidos.
Conclusão
Discutir abertamente sempre acarreta o risco de cair em generalizações, mas é importante sublinhar que, embora esta publicação chame a atenção para os perigos existentes na relação entre um autor e seus leitores-beta, existem muitos casos de sucesso que contribuem para a elevação da obra antes de esta chegar às mãos de um editor. No entanto, à medida que mais autores procuram este método de edição, é crucial não esquecer o objetivo deste trabalho: se é para refinar o manuscrito como etapa final ou se serve apenas como apoio emocional e criativo na elaboração da história.

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