Paris no Natal: o que se aprende ao revisitar a mesma cidade?

Para quem me acompanha nas redes sociais, já deve saber que, nos últimos anos, tenho visitado Paris com regularidade, escolhendo o mês de setembro como favorito. Muitos não compreendem este meu fascínio pela cidade, mas há algo muito pessoal que me liga a ela: uma forte presença familiar e um conjunto de memórias espalhadas por diversos locais.

Ir a Paris não é apenas uma viagem; é um regresso ao passado, uma forma de ganhar consciência do presente e, curiosamente, um convite a imaginar o futuro. Pergunto-me sempre se este incluirá mais visitas à cidade e mais momentos vividos em família.

Preciso de confessar uma coisinha

Adoro ver as cidades iluminadas, e sendo Paris conhecida como a cidade das luzes, percebi que a época natalícia pouco tem a acrescentar a uma cidade que, em qualquer altura do ano, já é naturalmente luminosa. Em Paris, o investimento parece concentrar-se mais em pontos comerciais, ao contrário do que acontece, por exemplo, em Portugal, onde as decorações se espalham pelas ruas e praças.

Sem grande surpresa, o destaque principal acaba por recair sobre os Campos Elísios, com as suas imensas árvores magnificamente iluminadas por fios de LEDs, criando uma atmosfera mágica e sofisticada.

Os mercados de Natal, contudo, são variados e fáceis de encontrar por toda a cidade. Há um lindíssimo junto à Notre Dame, agora ainda mais impressionante com as obras concluídas, e outro próximo da Torre Eiffel, onde, na verdade, existem dois mercados. Um deles combina gastronomia chinesa e francesa, com uma variedade tão vasta e apelativa que quase me fez querer experimentar tudo! E, claro, não poderia faltar o mercado junto aos jardins do Louvre, que mantém o seu charme inigualável.

Com a cidade repleta de turistas e locais, era impossível não sentir o espírito natalício, especialmente quando parecia evidente que todos estávamos ali pelo mesmo motivo. Confesso que, devido à minha má preparação para o frio gélido – que quase me congelava a cara –, fui obrigado a comprar um cachecol. Ainda assim, isso não me impediu de percorrer mais de 23 quilómetros ao longo do Sena, entre o Louvre, os Campos Elísios, o metro e a Torre Eiffel.

Era um prazer imenso sentir a cidade ganhar vida. Com crepes a serem vendidos em cada esquina e inúmeros franceses a segurarem copos de vinho quente, Paris foi-se desembrulhando aos poucos, revelando o seu encanto mágico ao longo da noite.

O que mais gostei foi a animação no mercado dos jardins do Louvre. Não foi apenas pela grandiosidade da roda gigante, que cria um contraste fascinante com a arquitetura parisiense, mas também pela quantidade inimaginável de pessoas. Num momento, encontrei-me literalmente ensanduichado, provavelmente entre mais de mil pessoas, enquanto explorava as diversas ofertas de entretenimento, comida e comércio.

Essa atmosfera intensa levou-me a sentir uma ânsia – e uma necessidade quase urgente – de atravessar a cidade em busca de um chocolate quente, algo que acabou por se tornar uma aventura por si só.

O que retirei desta viagem?

Inicialmente, equacionei passar o dia na Disneyland Paris, mas o preço proibitivo de 92€ acabou por me levar a optar por explorar a Disney Village e as diversas ofertas natalícias da Disney. Essa escolha deu-me a oportunidade de, à tarde, fazer algo que sempre desejei: caminhar por Paris de forma descontraída. Percorri o Sena, passei junto à antiga prisão de Paris, a Conciergerie, e finalmente consegui admirar Notre Dame sem a confusão das gruas e das proteções das obras.

A sensação térmica de -1ºC foi difícil de suportar, mas, já tendo estado em Paris para fins turísticos anteriormente, esta visita rápida permitiu-me saborear a cidade de outra forma. Observei também como Paris ainda celebra o sucesso dos Jogos Olímpicos, um feito que parece estar integrado no quotidiano da cidade.

Valeu a pena? Sem dúvida. No entardecer, ao vislumbrar a Torre Eiffel, fiquei com a clara sensação de que Paris é um espaço de possibilidades artísticas, criativas e até desportivas. Com jardins espalhados por quase todas as ruas, é incrivelmente fácil encontrar um lugar só nosso para pensar, escrever ou conviver. Esta experiência fez-me refletir sobre como, nas nossas cidades, falta muitas vezes esse equilíbrio. Paris mostrou-me como a vida urbana tem, por vezes, sacrificado o bem-estar das populações em nome da modernidade.

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