Reflexões sobre viver eternamente

céu estrelado

What are your thoughts on the concept of living a very long life?

Estava a meio da semana de trabalho quando o WordPress me questiona sobre a ideia de viver para sempre. Apesar de não querer escrever uma tese sobre o tema, não posso deixar de imaginar o que seria essa distopia. De pensar em como, do meu lado paterno, tenho familiares a passar o marco dos 100 anos e a questionar-me: gostava de chegar lá?

A resposta costuma ser, nestes casos, quase sempre a mesma para todos: sim, desde que com saúde. Mas, atendendo ao estado do mundo, parece-me que não é só a saúde que é precisa; é o chegarmos a uma vida eterna sem estarmos sozinhos e, claro, com dinheiro. Na verdade, ao pensar no conceito de viver para sempre, acho que a máxima de que o dinheiro não traz felicidade não se aplica. Afinal, se passarmos, neste cenário hipotético, dos 150 ou 200 anos, a procura por novas experiências, acredito, seria maior. A luta para não cair na monotonia seria elevada ao expoente e, atendendo a que a ciência teria resolvido diversos problemas para chegarmos a uma vida eterna, procurar novas formas de nos reinventarmos seria um autêntico desafio.

O trabalho teria de se reinventar, assim como a forma como olhamos e vemos as relações humanas. A própria perceção do mundo, da natureza e de outros seres vivos teria de ser revista porque mantermos uma população a ser elevada a um grande expoente seria, não só um sacrilégio, como levaria a outros problemas. O engraçado nisto, claro, seria a probabilidade de vermos grandes problemas serem resolvidos de forma mais célere, ao ter, talvez para diversos cientistas, um propósito justificado para resolver determinado mistério e que nos permitisse entrar numa outra era evolutiva.

Viver eternamente traria, sem dúvida, implicações na perceção do tecido temporal. Já imaginaram um autor estar sempre a escrever, ou a escrever por um período de tempo maior do que o que agora temos? E na indústria do cinema ou da música? Como seria, talvez, ver sempre as mesmas caras? Como seria difícil novas caras entrarem em cena? Seria fácil, por o público rapidamente se cansar da mesma coisa, ou existiria vontade em ter-se algo que não se mudava?

Viver eternamente também traria desafios no mundo da moda, da intemporalidade e na transformação célere da identidade de cada um. Acredito que facilmente entraríamos em múltiplas relações, múltiplos empregos e, quiçá, viver mesmo em diferentes partes do mundo. A ideia seria mais apetecível face a uma perceção temporal tão vasta e a diversas políticas sociais e económicas que teriam de ser altamente revistas. Afinal de contas, se temos, acredito, pessoas a trabalhar por mais tempo e a contribuir mais, talvez a forma como os impostos funcionam seria completamente diferente de hoje. O mesmo, talvez, para as políticas de natalidade, já que, como ditam todos os filmes distópicos, é o grande mal.

Sinto que poderia ficar horas a deambular por esta ideia imposta pelo WordPress, mas diverti-me tanto nela que queria partilhar convosco e perguntar-vos: o que pensam do viver para sempre?

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