Imagina a vida: o concerto dos Imagine Dragons, dias depois

Desde 2012 que conheço os Imagine Dragons. Descobri-os através da música Demons, que ouvi pela primeira vez num trailer do filme The Words. Na altura, eram completamente desconhecidos em Portugal e tive mesmo de importar o CD. A partir desse momento, tornaram-se na minha banda de eleição.

Nunca fui de ter uma banda favorita. As que existiam não me cativavam, nem pelas vozes, nem pelas letras. Mas quando os Imagine Dragons surgiram no meu mundo, senti que, finalmente, algo encaixava. As emoções da adolescência, a procura por sentido, e as inseguranças que escondemos dos outros encontravam eco nas letras da banda, sobretudo em Demons, que expõe de forma crua as fragilidades que carregamos em silêncio, visíveis apenas a quem nos conhece verdadeiramente.

Apesar de não ter conseguido ir ao primeiro concerto deles em Portugal, continuei a acompanhá-los: comprei todos os álbuns em CD e, mais tarde, em vinil. Vi-os pela primeira vez num festival NOS Alive, mas sempre sonhei vê-los num concerto próprio. Quinze anos depois do início da banda, esse desejo concretizou-se — e logo no primeiro concerto em estádio da banda em Portugal, no passado dia 26 de junho de 2025.

O sentimento de pertença e entrega

O ser humano almeja, acima de tudo, a identificação. Quer seja pelos pares, no trabalho, amigos ou religião, procuramos sempre por algo em que acreditar para nos distrair da vida quotidiana. Para muitos é o futebol, para mim, por exemplo, é a tecnologia e escrita. Porém, em muitos casos, e como disse o próprio vocalista da banda, o famoso Dan Reynolds, a música consegue ser esta união. Neste concerto, e sendo uma banda que me diz tanto, estar na presença de 60 mil pessoas que adoram a banda tanto quanto eu, é um alento para os dias menos bons, onde as músicas nos trazem alegria, nos falam de sentimentos, de pudor, angústia, dor, raiva, vaidade e, enfim, a vida.

Durante quase duas horas, Dan mostrou-se como é: genuíno, vulnerável, divertido. Fez vénias à multidão, brincou com a plateia, onde chegou a engolir um dos muitos confettis lançados e gracejou com isso. Houve fogo, luzes, fogo de artifício… e um estádio inteiro a cantar em uníssono temas como Demons, Believer, Sharks, Take Me to the Beach, In Your Corner, Next to Me, Radioactive e Bad Liar.

Acho que por esta altura meia internet viu, ou leu, o discurso do Dan e que espelha os valores e lutas da banda, nomeadamente em temas queer, depressão e ansiedade. O certo é que o mesmo é tão sincero e cheio de paixão, que a vontade de o partilhar é mais forte que eu, especialmente quando o mundo dos direitos sociais é constantemente abalado:

Can I tell you something? First of all, I love you guys. I love this city. There’s so much heart, there’s so much passion, so much energy, so much incredible art. Thank you for having us here. Second, the whole meaning of Imagine Dragons, for however long this goes, I don’t know, I thought it was going to be like a year and then it was five years and then years, and now we are at fifteen. The whole reason Imagine Dragons is anything is just to make you feel joy. That’s it. That’s our only goal. And it’s not even for any selfless reason. It’s because I love joy. I’m chasing it. I love life. I love to live. I love to see people. Meet people. I love to experience whatever this is. I’m a questioning soul, a questioning mind, and music is the great connector. But all that being said, I must tell you, my entire life I have also struggled with the other side. I’ve struggled with depression, I’ve struggled with anxiety. I hope you know if you are struggling, please, you are not alone. Please, you are not alone. May you always know that there are people around you that love and care about you. Please do not keep it to yourself. Talk to somebody, talk to a family member, talk to a friend if it’s available to you. Go to therapy. I’ve been in therapy for many years. It doesn’t make you weak, it doesn’t make you broken, it makes you wise. Makes you wise. Please, say with us: Your life is always worth living. Your life is always worth living.

Mal posso esperar por o próximo concerto e de, talvez, os conseguir ver mais de perto. É talvez das maiores lições que tirei, uma vez que, ao me ter inscrito na pré-compra, acreditava que conseguiria comprar no dia oficial e sem pagar comissões de bilheteira. Por sorte, consegui mais tarde, comprar para as bancadas, onde apesar de receoso no início, me deu uma perspetiva única do estádio e que outrora nunca tinha tido. Neste campo, aproveito para destacar a excelente organização para entrar no recinto, apesar da confusão, após se ir para as bancadas, de se identificar corretamente os setores. Foram centenas as pessoas que estavam confundas ou mal sentadas, o que acabou por realçar a entreajuda que existiam entre os espetadores.

A parte positiva de tudo? Ter visto e experienciado tudo isto com pessoas fantásticas e que compreendem todos estes valores.

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