Nunca pensei vir a escrever algo assim, mas após diversas experiências ao longo do ano, especialmente no que toca a diversas ferramentas tecnológicas que experimentei, julgo ter chegado a um consenso e de como, atualmente, estudar e ter bons hábitos de estudo podem ser algo extremamente fácil e, em alguns casos, acessíveis.
Conheces os limites
Apesar de algumas das dicas nesta publicação serem gratuitas, se queres elevar o teu nível de aprendizagem a outro patamar pode ser importante definir se queres gastar dinheiro ou não. Isto é válido tanto para material físico, como cadernos, até serviços de subscrição ou tecnologia. Vou tentar limitar-me ao que experimentei e, sem dúvida alguma, irei aplicar no meu próximo ano letivo. Para isto, vou começar pela parte mais difícil: a que implica custos. Falo, claro, do material, e tenho de recuar um ano para recordar precisamente a compra que fiz.
Tablet, vale a pena?
Ter um tablet nos dias que correm pode ser das maiores questões. Vale a pena o investimento? O que compro? Vai ajustar-se bem às minhas necessidades ou ficará depois lento? Será que, após usá-lo algumas vezes, irei deixá-lo acumular pó?
Estas eram as minhas dúvidas, sobretudo porque não vivo sem o portátil. Porém, face à evolução dos tablets Android dos últimos anos e com base na experiência de quem já o tinha e falava positivamente dessa compra, acabei por adquirir em segunda mão um Samsung Tab S9 FE. Com caneta (S Pen) e uma vasta gama de acessórios, pareceu-me uma boa opção, tendo em conta o valor que paguei. O facto de ter integração com o meu telemóvel revelou-se um bónus, e usei-o durante um semestre em disciplinas específicas, onde podia apontar notas e resolver exercícios. Cheguei mesmo a submeter trabalhos para avaliação por ele, o que me deu grande satisfação.
Já para não falar que, e aqui está uma das grandes vantagens de um tablet, o posso levar facilmente para qualquer lado: as “folhas” não acabam e consigo ter cópias digitais de tudo. Foi também útil, pois alguns colegas pediam-me apontamentos e eu podia enviá-los em PDF. Deu-me ainda a vantagem de conseguir aceder no telemóvel e até no meu portátil Windows. O portátil continuou a existir, claro, mas reservei-o para trabalhos mais específicos e exigentes.
Cadernos tradicionais vs. digital
Isto levou-me a perceber que o caderno “catita” que comprei na STAPLES — o que permite inserir ou retirar folhas — acaba por ser algo caro a longo prazo, devido ao preço elevado das folhas. Não só isso, mas cheguei a ter de comprar um caderno quadriculado à parte porque as folhas estavam esgotadas. É abismal. Por mais que sinta necessidade de usar papel para estudar certos conteúdos, descobri um sweet spot: ter cadernos físicos para o estudo, os mais baratos e versáteis possíveis, e, nas disciplinas apropriadas, usar o portátil ou o tablet como caderno digital.
Apesar de nem sempre ser prático vasculhar um caderno digital em vez de um de papel, acredito que esta combinação me permitirá poupar não só uns bons trocos, como também ter eventuais backups aos meus apontamentos.
Subscrições de serviços?
Não poderia terminar este ponto sem falar das subscrições. Há duas que me são preciosas: o Chat GPT e a suite de ferramentas da Microsoft, com o Office 365. A parte positiva nesta última é que muitas escolas oferecem licenças gratuitas, o que ajuda muito: temos acesso ao OneDrive, que mantém tudo sincronizado, e ao Copilot, baseado no Chat GPT. Apesar de ainda ter limitações, para muitos pode ser suficiente e dá sempre as fontes do que “diz”.
O Chat GPT custa cerca de 23 € por mês, pelo que convém ponderar se compensa. A versão gratuita satisfaz as necessidades essenciais de um estudante, tal como as alternativas da Microsoft (Copilot) ou do Google (Gemini).
Como potenciar o estudo?
Nunca pensei estar a falar de rotinas de estudo, mas o tempo altera a perspetiva. Sendo trabalhador-estudante, decidi usar tudo à minha disposição para não só estudar melhor, mas também compreender melhor.
Reparem: sou extremamente curioso. Quando um professor apresenta matéria nova, quero perceber não só para que serve, mas também por que é assim. Aqui, comparado com o ensino básico ou secundário, o YouTube e o Chat GPT ajudaram-me imenso. Tive matérias que só compreendi graças a vídeos de pessoas do outro lado do mundo, e o Chat GPT surgiu para desconstruir termos e interiorizar conceitos. Muitas vezes, um bom estudo passa por isso.
Ferramentas de IA ao serviço do conhecimento
A inteligência artificial pode ser uma grande aliada no estudo. Passei horas a:
- Sumarizar fórmulas;
- Compreender exercícios;
- Resolver exercícios;
- Identificar pontos-chave nos exercícios realizados;
- Criar um formulário com todas as fórmulas usadas;
- Gerar testes de escolha múltipla, com respostas no fim e indicação da pergunta;
- Montar testes com diversos graus de dificuldade, definindo parâmetros como matéria, número de perguntas e alíneas;
- Explicar partes da matéria;
- Edição de texto com explicação das alterações e de como poderiam ficar (ideal para nunca deturpar ou substituir a nossa voz).
Graças a este treino, no meu teste de Sistemas Operativos (de escolha múltipla), concluí-o em apenas 11 minutos com sucesso. Isto resultou de mais de quinze testes modelos: forcei variações de pergunta até que o conhecimento se interiorizasse.
Apesar da eficácia destas ferramentas, descobri que ainda falham e evito acreditar cegamente no que apresentam. Detetar erros deu-me ainda mais confiança, pois significava que exercitava o meu pensamento crítico.
Veredito!
Estudar tornou-se acessível. Com Internet e um dispositivo (computador, tablet ou telemóvel), aceder a conteúdos que nos ajudem a perceber melhor é fácil: seja no YouTube, usando o Chat GPT ou o Notebook LM do Google (que até faz podcasts do conteúdo).
Contudo, o trabalho humano nunca desaparece. No final, somos nós que avaliamos se percebemos de verdade e apresentamos provas do nosso esforço. Ferramentas ajudam, mas uma boa rotina de estudo inclui participação nas aulas, diálogo com professores e colegas e, acima de tudo, sentido crítico. Isto torna-se fundamental porque, caso não saibas, não só as universidades estão a mudar a forma como ensinam e avaliam, como existem detores de plágio, de citações e de conteúdo artificial, o que atribui uma percentagem ao trabalho, se for o caso, e te poderá colocar em muitos maus lençóis mediante a política da escola.
Em suma, com um local de estudo adequado, quer seja em casa, biblioteca ou café, em silêncio ou com música, e com os recursos certos, estaremos preparados para colaborar com a IA e encarar este novo futuro com conhecimento e espírito crítico renovados.
Gemini | Copilot | Office 365 | Notebook LM | YouTube

Comenta aqui