Desde que tive o meu primeiro smartphone que o mundo da tecnologia se entranhou em mim. Tendo crescido num meio onde essas conversas eram recorrentes, vejo-me hoje, sem espanto, a perceber como cheguei até aqui.
Ano após ano, em marcas que admirava, acompanhava as suas apresentações ao ponto de, em algumas, acordar pelas 7 da manhã só para assistir. Para sonhar e refletir nas potencialidades do que iriam anunciar e de como poderiam impactar a vida dos utilizadores. Foi assim com equipamentos da Sony, da Apple, da OnePlus, da Huawei e da Samsung.
Porque, para mim, não é só um telemóvel, um objeto. É um possível vislumbre de como e para onde caminhamos e, efetivamente, como chegamos aqui. Como vos estou a escrever isto de um tablet, o meu primeiro, e que tem um teclado acoplado.
Cresci a ver conferências e a sonhar

Cresci assim a ver conferências pomposas e a imaginar como seria estar ali, a sentir aquele entusiasmo de centenas de pessoas numa única sala.
Assim, com surpresa, chegou este ano a oportunidade, pelo Droidreader, de ir à conferência de apresentação de um produto da HONOR, em Londres. Fui sem conhecer ninguém e senti a adrenalina a cada minuto.
Uma viagem cheia de memórias




Entre apanhar o Alfa em Gaia para ir até Lisboa, para a casa de uma amiga, e acordar cedo para estar no aeroporto, a minha quinta-feira, 27 de agosto, nunca foi tão mexida.
O cansaço sentia-se no corpo, mas o entusiasmo era gritante e, no fim do dia, levou a melhor de mim. Quer ao conhecer os outros jornalistas portugueses, quer ao chegar a uma Londres que nos brindava com raros raios de sol.
Auxiliado pelos jornalistas mais velhos, rapidamente nos deslocámos para o hotel do evento, já que tudo estava organizado ao cronómetro.
Um hotel que parecia outra realidade
Com o estômago a roncar, mal chegámos ao The Peninsula Hotel parecia que estava numa realidade paralela — algo que, nestes mais de dez anos, ousei apenas imaginar.
Desde receber um autocolante que me identificava como elemento da imprensa, até estar a ver youtubers que conhecia das minhas horas infindáveis a consumir conteúdo no YouTube, tudo parecia irreal.



Sem vergonha, cumprimentei os que admirava e, por dentro, gritei e chorei de emoção perante pessoas que viviam as coisas tal e qual como eu.
Quis chorar várias vezes de emoção, mas contive-me perante a intensidade do que vivia. Quer durante a apresentação, onde tirava fotografias para o Droidreader, redes sociais e o artigo que estava a escrever, quer ao navegar na sala de demonstração, onde cocktails eram servidos e uma banda tocava ao vivo com instrumentos futuristas construídos pela HONOR.
Trabalho e emoção lado a lado


Entre fotografias, vídeos e contactos com o meu editor, ainda tinha de pensar em comer e em como queria escrever o que estava a viver.
Não só do ponto de vista técnico, como também em como estas invenções, que até podem não levar a nada, têm impacto em desenvolvimentos futuros, como a robótica e a inteligência artificial.
Comecei um artigo na cadeira enquanto decorria o evento, ao mesmo tempo que tinha o equipamento no colo, onde estavam mais dois: o meu e o Google Pixel, para review.
Acabei por terminar o artigo já perto das 17h30, quando um dos meus colegas jornalistas me arranjou uma burrata para conseguir comer enquanto ultimava a escrita e geria as fotografias que tinha tirado nos três equipamentos.
Descobrir Londres em Mini Coopers






Após isto, foi momento da nossa atividade turística, onde dez Mini Coopers clássicos nos esperavam.
Foi a loucura para os londrinos, já que os guias britânicos, extremamente simpáticos, explicavam que é raro ver aqueles carros, especialmente pelas taxas pagas para circular por dia.
Navegámos assim por Londres e vimos locais como o Big Ben no Old Palace Guard, o Palácio de Buckingham e até ficámos a saber como perceber se o rei está lá: ou pela bandeira hasteada, ou pelo número de guardas no portão.
Depois fomos ver o único local onde o graffiti é legalizado: o Leake Street Garden, um túnel que se diz estar assombrado pelos gritos dos mortos que lá passavam (garantidamente nada a ver com o eco do metro que circula em cima).
É um espaço extremamente majestoso. Paredes cheias de arte, nas suas mais variadas formas, que deixam qualquer pessoa boquiaberta. O mais giro? Deram-nos um marcador para também deixarmos lá o nosso registo. É um local maravilhoso e só quero lá voltar para o partilhar com alguém.
Entre arquitetura, tabernas e conversas
A visita seguiu até à Stoney Street, onde o crepúsculo contrastava com a arquitetura dos edifícios modernos e dava vida aos trabalhadores que desfrutavam da quinta-feira — já que sexta-feira é dia de trabalhar em casa.
As horas passaram e trouxeram o frio, bem diferente do tempo que vivemos em Portugal. Foi sinal de que estava na altura de ir a uma das tabernas mais emblemáticas da cidade: The Counting House.







Ali trocámos vivências com a representante da agência de Madrid. Falámos da marca, dos fogos, da crise da habitação e dos dilemas da nova geração.
Por esta altura estávamos exaustos e, seguindo um cronograma que não falhou, foi com alívio que cheguei ao hotel e aterrei numa cama confortável para, no dia seguinte, voltar a despertar com o sol. Só que, dessa vez, uma tromba de água espelhava o meu estado de espírito: tristeza pela rapidez com que tudo isto passou.
No final ficam as fotografias, os artigos, os vídeos e as memórias de um grupo que se conheceu pela tecnologia. Só tenho de agradecer, publicamente, ao André Fonseca, do Droidreader, pela oportunidade e me acompanhar de Portugal na edição de tudo isto, e à HONOR, pela valorização dada.

Comenta aqui