Quando pensei nesta publicação, desconfiava já ter feito algo do género no passado. Na verdade, uma simples pesquisa revelou que já refleti nisto em 2019 na publicação O Caderno do Diogo: Os Primeiros Erros. O certo é que a passagem dos anos e livros que li nos últimos meses levaram-me a pensar em erros que não equacionei e que, na verdade, cometi no meu primeiro romance (o bater do coração). Na altura não me lembrei deles, visto que revi o livro com a minha madrinha, que é professora de Português. A verdade é que, como que do nada, me lembrei do que ela me disse muitas vezes e que agora partilho convosco.

Personagens sempre a rir

É deveras comum, nos primeiros rascunhos dos manuscritos, as personagens estarem sempre a rir. Há uma piada, riem, alguém faz algo engraçado, riem também. Isto chega a um ponto em que, qualquer interação, mesmo uma troca de olhares, leva a um riso desnecessário. Isto é dos erros mais comuns e que estragam a experiência. É uma perda de personalidade das diversas personagens e um comportamento das mesmas que deixa de ser sentido. Isto, na verdade, leva-me a pensar em como tem sido raro encontrar bons filmes de comédia. Não pela falta de piadas, mas por as mesmas resultarem de diálogos forçados ao invés de situações que provoquem o riso. Isto são coisas completamente diferentes e, nos livros, a tarefa é ainda acrescida, visto que só temos o poder da imaginação na construção mental da situação.

Deus Ex-Machina

Obviamente que as coisas podem correr bem. Que tudo acabe num final feliz. Mas, quando isso acontece numa história por meio de um alinhamento perfeito dos astros, a história perde-se. Porquê? Pela falta de desafio às personagens e de oportunidades de crescimento das mesmas. Isto costuma ser frequente num primeiro livro, onde nos perdemos no entusiasmo de criar e esquecemos a componente lógica. Uma componente que ultrapassa o esforço de escrever e que está, antes, ligada à nossa capacidade de criticar a própria história.

Isto é importante corrigir, caso contrário estamos a criar uma mera história plástica onde as coisas que acontecem de bem perdem a intenção pelo excesso do “Deus Ex-Machina” de outras situações.

Abuso dos pontos de exclamação

Este não precisa de grande paleio, mas foi dos meus primeiros erros. O de não ter a capacidade de distinguir e compreender o poder de um ponto final e de usar, de forma errada e abusada, o ponto de exclamação. A assertividade é onde está a maior dificuldade, sendo preciso muita prática, leitura e compreensão da gramática para uma pontuação impactante.

Contar ao invés de mostrar

Este foi um erro comum na minha escrita até há pouco tempo. O de dar aos leitores mais momentos contados do que vividos. Claro que isto, por si só, não é mau. O certo é que diversos momentos são fundamentais na história e não é pelo contar que vamos lá. Acabamos, com isto, por tornar a obra mais vazia e menos significativa.

Há histórias em que o contar é chave, mas há diversas maneiras de o fazer e que conseguem elevar a leitura.

Desvalorizar um bom editor e revisor

Um autor não é um revisor e não é o nosso olhar cansado que tem a capacidade para, num manuscrito, “riscar” tudo. É nisto que um editor qualificado é bom. Em fazer, de forma isenta, um trabalho de edição que torne a nossa história mais rítmica, sem incongruências, numa mesma linguagem verbal e gramatical, ao mesmo tempo que nos indica os nossos pontos fracos para os melhorarmos.

Este é dos pontos cruciais na hora de trabalhar num manuscrito. É, também, o momento ideal para intensificar o nosso trabalho.

Nada será perfeito

Este ponto dói, mas é a realidade. Quando acabarmos de escrever o nosso manuscrito e mesmo que esse tenha passado pelos olhos de um revisor, haverá sempre algo possível de alterar. De corrigir. Erros pequenos que passaram, momentos que podem estar mais claros ou até capítulos que não têm qualquer sentido e, por si só, precisam de ser reescritos. Isto, sendo assustador, é normal. A nossa perceção vai-se alterando ao longo do processo de edição e revisão e, com tanta opinião e tempo para refletir, muitas são as vezes em que, quando um livro é publicado, o autor já o alterou mil e uma vezes na sua cabeça.

É preciso fazer as pazes com isto e de compreendermos que, naquele momento, fizemos o melhor possível. Temos, contudo, de medir o nosso ego. Perceber, quando damos o processo concluído, se o fazemos pela história ou pela nossa ânsia em a publicar.

Comenta aqui

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.