O meu caminho no marketing literário: lições e erros

Com livros e e-books publicados ao longo dos últimos dez anos, realizei diversas ações para promover o meu trabalho. Algumas foram bem-sucedidas, enquanto outras se revelaram completamente ineficazes, o que demonstra até que ponto as nossas estratégias realmente resultam. É sobre isso que vou falar nesta publicação, para que, se estás a entrar neste mundo, possas ter uma ideia geral.

Gastar dinheiro em promoções pagas

Esta é uma das questões que mais ouço em diretos no Instagram. Muitos leitores e autores questionam até que ponto pagar para promover publicações em redes como Instagram e Facebook compensa. Após vários anos de experiência, posso dizer-te que sim. Ajuda a aumentar a presença de pessoas em eventos? Não creio. Mas pode, sim, ajudar a que pessoas interessadas se lembrem de aparecer. Agora, no que diz respeito a vendas diretas, a resposta é clara: sim. Foram várias as vezes em que, após promover publicações nas redes sociais, o stock de livros selecionados esgotou na Wook. O mesmo aconteceu com o meu e-book de Natal, que levou leitores a comentar que o adquiriram após verem publicidade.

É importante, no entanto, perceber quanto estamos dispostos a gastar e em que momentos. A pré-venda é, sem dúvida, o período ideal, assim como em eventuais alterações de preço. Fora isso, é necessário fazer manutenção das publicações e, no momento do lançamento, manter uma promoção consistente que direcione os leitores para os principais canais de vendas.

Investir em publicações populares

Se estás para publicar um livro, há algo que já deves estar a fazer: seguir editoras, tanto nacionais como estrangeiras, e autores do teu género literário. Estas contas são uma fonte de inspiração para o que podes fazer, especialmente em publicações que jogam com a história. Quer seja para revelar o título, a capa, as personagens, os tropes literários ou os triggers, acompanhar o que as editoras fazem pode ajudar-te a definir um plano de marketing. Isto é especialmente útil se estás a publicar de forma independente ou com uma editora vanity.

Passatempos

Este é um tópico controverso. Passatempos podem ter bons resultados quando tens livros físicos, mas podem correr mal no caso de e-books, se esperas retorno.

Os menos eficazes, na minha experiência, foram aqueles onde oferecia vales da Kobo ou Wook. Há a expectativa de que o leitor que ganha o vale o use para comprar a tua história, mas, na prática, é mais provável que o utilize para adquirir algo que já pretendia comprar.

Por outro lado, passatempos mais diretos, como oferecer uma cópia do teu livro, tendem a funcionar melhor. Solicitar que os participantes sigam a tua página, comentem, mencionem amigos ou partilhem nas suas histórias pode gerar maior interação e alcance. No entanto, é essencial definires bem as regras: como participar, o que se ganha, a quantidade de prémios, quem pode participar, e os dados necessários para o envio. Também é importante decidires como farás o sorteio, considerando as ferramentas disponíveis, algumas das quais podem ser pagas ou ter limitações.

Blogue

Os blogues não estão mortos. Ao longo dos anos, mesmo com pouca frequência de publicações, continuo a receber visitas regulares e pesquisas diretas pelo meu nome. Um blogue ou site pode ser o ponto de partida para muitos leitores e oferece credibilidade ao teu trabalho. Bem estruturado, pode promover um contacto mais direto contigo, divulgar obras antigas e partilhar o processo de criação de novas histórias.

Existe uma fórmula sobre o que escrever? A experiência mostra que não. Autores variam entre partilhar tudo, apenas o autorizado, ou divulgar novidades antes do lançamento. O conselho principal é preparar tudo com antecedência. Reconheço que falho neste ponto, mas a consciência desse aspeto ajuda-me a melhorar.

Newsletter

Frequentemente vistas como SPAM, as newsletters são, na verdade, um veículo poderoso para comunicar com os leitores. Apesar de as usar com pouca frequência, aprecio a interação direta que proporcionam, muitas vezes resultando em respostas dos subscritores. Ao longo dos anos, já utilizei este meio para partilhar informações exclusivas, oferecer exemplares e antecipar leituras.

Diretos nas redes sociais

Realizei diversos diretos para promover os meus livros. Quer como anfitrião, quer como convidado, as experiências variaram. No meu caso, os diretos mais impactantes foram aqueles realizados com outras pessoas, que permitem maior interação e tornam o esforço mais produtivo. Diretos a solo podem ser úteis em situações pontuais, como apresentações rápidas ou entrevistas. Contudo, com a crescente popularidade de vídeos curtos, como reels e TikToks, pode fazer sentido reservar os diretos para eventos mais significativos.

Conteúdo visual

Como autores, muitas vezes tornamo-nos o centro das campanhas de marketing dos nossos livros. Isto significa que estamos constantemente a aparecer e a promover o nosso trabalho. Nesse sentido, é uma boa ideia utilizar plataformas que não só permitem agendar conteúdo nas redes sociais, como também criar imagens promocionais apelativas. Ferramentas como o Canva, por exemplo, são excelentes para esse propósito.

Dado que frequentemente partilhamos entrevistas, críticas e até aspetos da nossa vida pessoal (ou, em alguns casos, quase tudo), é importante pensar na estética das publicações. Confesso que me incomoda ver publicações em redes sociais com capturas de ecrã repletas de elementos desnecessários, como barras de pesquisa, favoritos ou notificações, que acabam por criar poluição visual.

Uma solução prática é criar templates específicos para diferentes tipos de partilha. Estes templates ajudam a tornar as imagens mais limpas, profissionais e apelativas, alinhando-as com a mensagem que queremos transmitir. Além disso, contribuem para um conteúdo visual consistente, que reflete a identidade do autor e do seu trabalho.

Consistência e identidade: a maior técnica

Pode parecer um cliché, mas a técnica mais eficaz é aquela que decides aplicar. Podes ler livros, assistir a vídeos ou participar em aulas de marketing e criação de conteúdo, mas, no mundo online, o que realmente faz a diferença é a autenticidade. Essa diferença nasce de nós mesmos: da consistência dentro da nossa identidade e da capacidade de nos destacarmos ao ponto de as pessoas reconhecerem o nosso trabalho de imediato. Que saibam que aquela publicação, aquele estilo, aquela abordagem só pode ter vindo de ti.

Este cultivo da identidade é extremamente útil. Se um autor que sigo anunciar nas redes sociais que tem uma nova obra, é provável que eu já saiba que, no seu site, haverá publicações relacionadas com a história e, no perfil das redes sociais, um link direto para a pré-venda. São estes pequenos detalhes que fazem a diferença e que tornam a comunicação mais eficaz e impactante. Este é o ponto crucial que encerra esta publicação.

Naturalmente, isto é o que aprendi ao longo do tempo e o que resultou comigo. A cada livro, ajusto estratégias, não apenas porque cresço, mas também porque o mercado evolui e porque aprendo com os meus próprios erros. Os leitores também não são ingénuos. Se tivermos em mente que o nosso público cresce e amadurece, podemos explorar abordagens que antes não faziam sentido para nós.

Em suma, cada história é uma nova oportunidade para planear, experimentar e aprender. No final de cada etapa, é essencial fazer uma avaliação honesta: refletir sobre o que correu bem, o que pode ser melhorado, e usar essa análise para continuar a evoluir.

Respostas

  1. Avatar de Lauren

    uma publicação muito interessante e necessária como já nos vens habituado ao longo do tempo!

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    1. Avatar de Diogo Simões

      Obrigado, Lauren!

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