Foi no mês passado que, enquanto falava com um colega de trabalho, ele me revelou que um dos filmes de que mais gostou foi Seven, lançado em 1995 e protagonizado, na altura, pelos jovens Brad Pitt e Morgan Freeman. O curioso é que, nesse mesmo dia, ao abrir a aplicação de cinema da NOS, deparei-me com Seven na secção de próximas estreias! Fiquei estupefacto. Sabendo que nos EUA tem sido frequente o relançamento de clássicos como A Múmia ou os primeiros Harry Potter, decidi que tinha de ir ao cinema ver este thriller. Os bilhetes foram comprados para uma sessão com o Ricardo e, dias depois, percebi algo fascinante.
Continuamos desesperados pelo clássico
Talvez “desesperados” seja um termo forte para este contexto, mas, ao observar as tendências de Hollywood e a forma como o público as acolhe, ver uma sala cheia para um filme com 30 anos deixou-me não só surpreso, mas também satisfeito e intrigado. O público era diverso, abrangendo todas as faixas etárias. Não estavam apenas ali para ver ou rever um clássico do renomado cineasta David Fincher, mas também para contribuir, de certa forma, para a manutenção do nosso número oscilante de espectadores.
Esta perceção clara, talvez ainda mais evidente do que assistir a um simples remake em live-action (sim, estou a pensar nas aventuras da Disney), levou-me a refletir sobre como continuamos a adorar os clássicos. Parece que procuramos incessantemente histórias “antigas” com rostos familiares. Isto remete para um tema sobre o qual já escrevi: a eventualidade de vivermos para sempre e como, perante a escolha, preferimos investir numa experiência segura em vez de nos aventurarmos pelo desconhecido.
Há algo bastante claro nesta história e no filme: crimes e temáticas que, hoje, encontramos com facilidade em episódios de 40 minutos de séries televisivas, continuam a ter impacto no grande ecrã. O estúdio poderia ter aproveitado este aniversário para lançar uma sequência ou um reboot, mas não o fez. E isso é algo a apreciar. No entanto, também demonstra que, por mais que se diga o contrário, existe espaço para revisitar histórias do passado.
O poder de um remake
A Disney tem sido o estúdio mais prolífico na exploração da sua propriedade intelectual, trazendo-a de volta ao nosso quotidiano. Desde clássicos como Cinderela, Dumbo ou Peter Pan, até à confirmação de versões em live-action de Frozen e Moana, é comum que o público reaja com ceticismo. Contudo, ao contrário de um simples remaster, que nos devolve uma obra como ela era, um remake permite revisitar uma história sob um novo prisma e adaptá-la à nossa realidade tecnológica, social e económica.
Muitos acreditam que isso desvirtua a intenção original. E, de certa forma, é verdade: estamos a alterar algo idealizado pelos seus criadores numa determinada época. Mas não é esse, afinal, o propósito da arte? A transformação e reinvenção são inerentes ao processo criativo. Para alguns, estas novas versões servem para tornar as histórias mais inclusivas, o que é válido e necessário. Mas também funcionam como uma aposta segura para os estúdios, que procuram gerar retorno financeiro a partir de uma propriedade intelectual bem-sucedida.
Não sei o que acham, mas…
Eu sou a favor de relançamentos e reboots. Acredito que há sempre algo novo a extrair de uma história e que revisitar uma determinada propriedade intelectual é, por si só, um ato criativo. Quando um realizador, argumentista ou produtor reinterpreta uma obra, está a trazer-lhe uma nova perspetiva.
Gostaria que houvesse mais investimento em histórias originais? Sem dúvida. Mas, num mundo onde as covers musicais são omnipresentes e os clássicos literários continuam a ser adaptados, vejo o regresso de velhas histórias como parte deste ciclo natural. E se, ao revisitá-las, conseguimos garantir um fundo financeiro que permita aos estúdios apostar em novas narrativas, então talvez sejamos nós, o público, os verdadeiros beneficiados.

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