Pensei em escrever sobre ter ido ao concerto solidário da Liga Portuguesa Contra o Cancro. Mas, depois de me deixar envolver pelo espetáculo da Orquestra Sinfónica do Porto, interpretando temas do cinema clássico e contemporâneo, a emoção tomou conta de mim.
A Beleza Inerente a uma Orquestra
Já quando assisti, em 2019, ao espetáculo de Hans Zimmer em Lisboa, tinha percebido o poder transformador da música orquestral. O mesmo acontece com os inúmeros vídeos disponíveis online das atuações do compositor e da sua banda. Mas, ao estar nas primeiras filas na noite passada, agora no Porto, e na Casa da Música, a experiência foi diferente. Para além de ouvir arranjos sublimes de John Williams, Stephen Warbeck e Alan Silvestri, pude observar de perto a emoção dos próprios músicos. Os seus sorrisos, expressões concentradas e gestos revelavam a ligação profunda que têm com os seus instrumentos – uma comunhão que se espelhava na própria plateia.

Foi impossível não sorrir ao perceber essas interações entre os membros da orquestra. A forma como se entendem e complementam reflete a própria vida humana e a sua interdependência. Afinal, uma orquestra não é nada sem o seu maestro, mas um maestro também não é nada sem a sua orquestra.
O que me deu este concerto solidário?
Com as receitas a reverterem na totalidade para a Liga Portuguesa Contra o Cancro, a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, sob a direção da maestrina alemã Katharina Morin, brindou-nos com interpretações inesquecíveis. Durante cerca de uma hora e quinze minutos, viajámos por universos icónicos do cinema com temas de Parque Jurássico, Harry Potter, E.T., Indiana Jones, Forrest Gump, Superman e Shakespeare in Love.

Foi precisamente com a música deste último filme, composta por Stephen Warbeck, que me emocionei profundamente. A beleza da peça, aliada à entrega da maestrina e dos músicos, quase me levou às lágrimas. A forma como os instrumentos se entrelaçavam numa harmonia perfeita, guiados pela dança subtil da maestrina, fez deste momento um dos mais marcantes da noite.
Curiosamente, acabei por me esquecer de que sempre desejei ouvir algumas das músicas de Harry Potter ao vivo. Entre elas, Possession (do quinto filme) e The Entrance to the Chamber of Secrets. Ouvir esta última ao vivo foi arrebatador. Cada nota ressoou em mim, preenchendo o espaço e intensificando a emoção do momento.
Uma experiência a repetir
Apesar de ter desejado que o espetáculo durasse mais tempo, não posso deixar de me declarar fã desta orquestra, dos seus músicos e da forma como os instrumentos parecem uma extensão do seu corpo. Sem dúvida, quero voltar a vê-los ao vivo.



Especialmente se for na Casa da Música. Sim, é uma vergonha admitir que nunca tinha entrado lá, apesar de viver no Porto há anos. Mas fiquei deslumbrado. A arquitetura da sala, com a sua fusão entre o moderno e o clássico, é simplesmente impressionante – um palco perfeito para uma experiência musical tão envolvente.
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